Como fazer um orçamento mensal que chegue até o fim do mês

Como fazer um orçamento mensal que se sustente: renda real, fixos e economia primeiro, limites por categoria, o mês de salário a salário e o fechamento.

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Em resumo

Para fazer um orçamento mensal: parta da renda que você realmente recebe (se ela varia, do mês mais baixo), tire primeiro os gastos fixos e o que vai guardar, e divida o resto em limites por categoria para os gastos variáveis. Faça o mês começar no dia do pagamento, acompanhe o ritmo durante o mês e ajuste no fechamento.

Quase nenhum orçamento dá errado por causa da conta. Dá errado porque é feito uma vez, numa planilha caprichada, com os números que a gente gostaria de ter, e ninguém olha de novo até o mês já ter passado. Este guia segue a ordem em que o dinheiro se move de verdade: primeiro o que entra, depois o que sai de qualquer jeito, depois a economia e, só no fim, o que dá para decidir. E soma o que a planilha não faz: acompanhar durante o mês.

Comece pelo que entra de verdade

O número do topo do orçamento é a renda líquida: o que cai na sua conta, não o salário bruto do holerite nem o que você ganha "mais ou menos". Se você tem mais de uma renda, some só as que são certas todo mês.

Se você recebe um valor diferente a cada mês, não faça o orçamento pela média: faça pelo mês mais baixo que você espera, e o que entrar a mais vai primeiro para a economia. O mesmo vale para o que não é mensal, como o 13º salário ou um bônus: não é o salário do mês e não deveria sustentar gastos fixos.

Os fixos primeiro: o que se paga de qualquer jeito

Antes de decidir qualquer coisa, liste o que você vai pagar aconteça o que acontecer: aluguel ou financiamento, condomínio, luz, água, internet, plano de saúde, transporte, assinaturas e as parcelas do cartão das compras que você já fez. Essas parcelas são gasto fixo deste mês, mesmo que a compra tenha sido há seis.

Anote cada um com o valor e a data. O valor diz quanto sobra para o resto; a data diz quando vai faltar dinheiro se você recebe no dia 5 e o aluguel vence no dia 1.

A economia também é um gasto fixo

Se a economia é "o que sobrar", nunca sobra. Coloque-a na lista dos fixos, com valor e data (o dia em que você recebe), e separe antes de gastar. Um valor pequeno mantido todo mês vale mais do que um grande que dura dois.

O primeiro destino dessa economia é uma reserva de emergência: o dinheiro que paga um imprevisto sem cartão nem empréstimo. Enquanto você não tiver, qualquer surpresa derruba o orçamento inteiro.

50/30/20: um ponto de partida, não uma lei

A regra 50/30/20 divide a renda líquida em 50% para necessidades, 30% para desejos e 20% para economia ou dívidas. Serve como primeira referência quando você não sabe por onde começar, e para perceber rápido onde está desequilibrado.

Não use como prova. Se só o aluguel já leva 40% do salário, os 50% de necessidades não fecham, e a resposta não é se sentir em falta: é ajustar as porcentagens à sua realidade e garantir que a economia, mesmo menor, não seja zero.

Os variáveis, com limites por categoria

O que sobra depois dos fixos e da economia é dividido em limites para o que você decide de fato: mercado, saídas, delivery, roupa, transporte por app. Poucas categorias, entre cinco e oito: com vinte, ninguém sabe onde vai cada gasto e o orçamento é abandonado.

Cada limite é calculado sobre o que você gastou de verdade nos últimos meses, não sobre o que gostaria de gastar. Se no mercado vão R$ 1.800 e você coloca R$ 900, não é um orçamento: é um desejo que você vai quebrar no dia 10. Baixe aos poucos.

Seu mês começa no dia em que você recebe

Se você recebe no dia 5 ou no dia 20, o mês do calendário corta o seu salário em dois: metade do orçamento de "outubro" é paga com o dinheiro de setembro. Fazer o orçamento de salário a salário resolve isso: o mês começa no dia em que o dinheiro entra e termina na véspera do próximo pagamento, e cada limite é medido contra o salário que o paga.

Durante o mês: olhe o ritmo, não só o total

Um orçamento que você olha no fim do mês chega tarde. A pergunta útil é outra: com o que me resta nesta categoria e os dias que faltam, quanto posso gastar por dia? Se restam R$ 600 de mercado e faltam 15 dias, são R$ 40 por dia. Se o número do dia cai mais rápido que o calendário, você está gastando rápido, e ainda dá tempo de corrigir.

O sinal de que você vai estourar aparece no meio do mês, não no último dia. Olhar o ritmo uma vez por semana basta para ver a tempo.

No fechamento: dez minutos para ajustar

Quando o período termina, compare cada limite com o que você gastou. Se você estoura a mesma categoria todo mês, o problema é o limite, não você: aumente e tire esse dinheiro de outra. Se sobrou em outra, diminua. Um orçamento é ajustado por três ou quatro meses até ficar parecido com a sua vida; depois quase não é preciso mexer.

Perguntas frequentes

Qual porcentagem do salário vai para cada coisa?

Uma referência comum é a regra 50/30/20: 50% para necessidades, 30% para desejos e 20% para economia ou dívidas. É um ponto de partida: se os seus fixos passam de 50%, ajuste as porcentagens e cuide para que a economia não seja zero.

Quantas categorias de gastos é bom ter?

Entre cinco e oito para os gastos variáveis bastam. Com muitas mais, cada gasto obriga a pensar onde ele vai e o orçamento é abandonado. Você sempre pode dividir uma categoria depois, se perceber que ela mistura coisas muito diferentes.

O que fazer se eu estourar o orçamento num mês?

Nada dramático: veja em qual categoria e por quê. Se foi um gasto excepcional, siga em frente. Se você estoura a mesma categoria todo mês, o limite está mal calculado: aumente e tire esse dinheiro de outra.

Como fazer um orçamento se eu recebo um valor diferente todo mês?

Faça o orçamento pelo mês mais baixo que você espera, não pela média. Nos meses bons, o que entra a mais vai primeiro para a reserva de emergência, que é o que cobre os meses ruins.

Uma planilha basta ou preciso de um app?

Com uma planilha dá para montar bem. O difícil é acompanhar durante o mês: anotar cada gasto e saber quanto resta em cada categoria. Aí um app ajuda, porque faz essa conta sozinho toda vez que você registra um gasto.

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